As questões sociais preocupam mais o homem comum brasileiro do que as questões ambientais, pelo menos é o que aponta pesquisa do Programa Água Brasil, apresentada durante a Reviravolta Expocatadores 2012, na capital paulista. Mais do que o debate sobre reciclagem ou desenvolvimento sustentável, o que mais chamou a atenção no evento - e isso é mais um sinal da realidade - foram as presenças do jogador de futebol Neymar ou de artistas e cantores, ali levados pelo patrocinador da Expocatadores, Guaraná Antártica. Temas como gestão sustentável, aquecimento global, acúmulo e descarte inapropriado de resíduos e contaminação de rio ou mananciais foram apontados como principais problemas do país por apenas 7% dos entrevistados. O estudo sobre o nível de consciência da população sobre práticas sustentáveis foi encomendado ao Ibope. "Talvez, se fosse questionado algo mais abrangente ou um tema mais amplo e menos técnico, como por exemplo, ecologia ou valor da natureza, o resultado da pesquisa fosse outro", comenta por sua vez o editor aqui do nosso blog Folha Verde News, o repórter e ecologista Padinha: "Há realmente falta de informação no Brasil sobre os temas ambientais, especialmente, os mais técnicos, creio que houve também uma falha de comunicação da própria pesquisa ao elaborar as questões, é mais fácil porém chamar a população de desinformada do que criticar um levantamento destes. De toda forma, vale como alerta".
Quando questionados sobre os três principais problemas que afetam o país atualmente, os temas mais recorrentes aos entrevistados foram saúde (70%), desemprego (53%), fome (50%), corrupção (42%) e educação pública (39%). Temas relacionados ao meio ambiente ficaram em penúltimo lugar, perdendo apenas para o item economia global, que foi citado por 2% dos entrevistados. Participaram do estudo 2.002 pessoas em todas as capitais e mais 73 municípios, em novembro do ano passado.
Para o coordenador de Programa Educação para Cidades Sustentáveis da organização WWF Brasil, Fábio Cidrin Gama, os resultados indicam que será necessária uma grande sensibilização para mudar a atitude do brasileiro neste assunto, especialmente no momento em que o país se organiza para implementar a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS). “A pesquisa mostra que há esperança, mas para essa mudança. A gente vai ter que sensibilizar muito toda a sociedade para que as pessoas assumam, por exemplo, a destinação correta do lixo como um hábito e um dever de cidadão”, destacou Gama. Ele apontou que um dos aspectos mais positivos da pesquisa foi a disposição do brasileiro em participar da coleta seletiva. Por outro lado, lamentou que ainda haja muito desconhecimento sobre a destinação correta do lixo e sobre o papel que cada um deveria cumprir nesse processo. “Em relação ao símbolo da reciclagem, os brasileiros acham simplesmente que tendo aquele símbolo o material vai ser reciclado”, declarou. O coordenador destaca que para haver o reaproveitamento do resíduo ainda são necessárias muitas etapas, como a própria separação a ser feita pelo consumidor.
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| A presença de Neymar motivou o povão na Expocatadores e isso também mostra o que a pesquisa poderia ter feito |
A pesquisa mostra também que o brasileiro está disposto a assumir outras atitudes sustentáveis, além da coleta seletiva. Cerca de 34% dos entrevistados declararam que abririam mão de determinados produtos mesmo que interferisse na sua comodidade. Percentual semelhante (33%) passaria a exigir aos fabricantes soluções com intuito de que o produto tivesse menor impacto no meio ambiente. Ainda é baixo, no entanto, a quantidade de pessoas (23%) que não comprariam materiais que não fossem recicláveis ou reutilizáveis. Para Severino Lima Júnior, membro do Movimento Nacional de Catadores de Rua (MNCR), a pesquisa destaca o papel do catador de rua na cadeia de reciclagem no Brasil, já que 26% dos entrevistados apontam que eles são os responsáveis pela coleta seletiva. Para metade (50%), ela é feita pelas prefeituras e 12% apontam as cooperativas. “Isso mostra que o modelo adotado no país tem potencial para ter mais sucesso do que outros formatos faraônicos, defendidos por alguns tecnocratas, como a participação de grandes empresas de reciclagem”, disse Severino Júnior à repórter Camila Maciel, da Agência Brasil, que fez esta matéria, publicada na íntegra pelo site socioambiental Eco Debate. "Estes pontos positivos do levantamento de opinião mostram que, desde que a comunicação seja bem feita, o povo entende melhor questões da ecologia, que não é um bicho de sete cabeças, todo mundo é sensível a esta causa hoje em dia", conclui o ecologista Padinha: "É preciso saber perguntar (no caso duma pesquisa) ou motivar a população, caso se queira mesmo buscar um avanço de desenvolvimento sustentável no país". Ou seja, a estrutura da pesquisa do Ibope é que pode ter sido impopular e não o tema ambiental.
Fontes: Agência Brasil
www.ecodebate.com.br
http://folhaverdenews.blogspot.com

Além das falhas de comunicação com os pesquisados neste levantamento do Ibope, como se critica neste post, os pontos positivos da mesma pesquisa indicam que seus resultados poderiam ser outros se as questões fossem melhor levantadas. Não é só o público que está desinformado, os pesquisadores do Ibope também...
ResponderExcluirPara exemplificar, questões menos técnicistas ou feitas com palavras menos complicadas, obtiveram respostas mais positivas da população: cerca de 34% dos entrevistados declararam que abririam mão de determinados produtos mesmo que interferisse na sua comodidade. Percentual semelhante (33%) passaria a exigir aos fabricantes soluções com intuito de que o produto tivesse menor impacto no meio ambiente.
ResponderExcluirTrata-se também não só de falta de consciência ambiental no país (no caso dos entrevistados) mas também de falta de cultura ecológica (no caso dos entrevistadores). A quem interessa divulgar que os temas ambientais são impopulares?...Esta é a questão.
ResponderExcluirNosso editor Padinha considera de toda forma que este levantamento de opinião, revelado na Expocatadores, serve como um alerta, caso o Brasil queira mesmo implantar programas e gestões de desenvolvimento sustentável, que equilibrem economia com ecologia. Mas insiste que o problema desta pesquisa específica foi mais por culpa de falha de comunicação do Ibope do que pela desinformação dos entrevistados.
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