Nestes dias a mídia internacional e do Brasil noticia dificuldades e preconceitos sofridos por mulheres brasileiras, que atuam como modelo, em alguns países como na Índia, mas em termos de quantidade de casos a maior incidência de problemas está no futebol, como conclui nosso blog a partir das informações de sites como BBC e Terra: os esforços do governo para coibir a exploração de brasileiros no exterior em vários setores de atividade
também têm como público-alvo um grupo profissional que já atua
internacionalmente há várias décadas, os jogadores de futebol. Segundo o Itamaraty, nos últimos três anos, entre 50 e 100 atletas brasileiros
procuraram representações diplomáticas do Brasil em busca de ajuda. Eles
relataram, na maioria dos casos, descumprimento de contrato pelos clubes, más
condições de trabalho e dificuldades para voltar ao nosso país, quando surgem os problemas."É possível que tenhamos até 300 futebolistas hoje nessas condições", calcula Luiza
Lopes da Silva, diretora do Departamento Consular e de Brasileiros no Exterior. O Itamaraty já registrou queixas de jogadores brasileiros na Armênia, China,
Coreia do Sul, Grécia, Índia, Indonésia, Irã e Tailândia. Segundo a Confederação
Brasileira de Futebol (CBF), há cerca de 6 mil brasileiros em times
estrangeiros.
O Itamaraty criou até uma Cartilha de Orientações para o Trabalho no Exterior, onde se diz que boa parte dos jogadores explorados são vítimas de "agentes inescrupulosos, intermediários de propostas tentadoras que escondem armadilhas". O texto afirma que os agentes costumam dar prazos curtos para a decisão do jogador, para evitar que ele se informe melhor. Há casos em que, uma vez no exterior, o atleta encontra condições de vida e de trabalho ruins, é tratado com brutalidade pelos treinadores e tem o contrato de trabalho desrespeitado. "Com frequência, o jogador é submetido a uma carga de treino excessiva, instalado em alojamento precário e vê seu salário ser descontado diariamente - sem que isso tenha sido explicitamente acordado - com alimentação, acessórios esportivos e outros itens", diz a cartilha. Em outros casos, os jogadores são rejeitados pelo clube e abandonados sem passagem de volta nem assistência.
Dois casos que expressam bem esta situação
Contratados por um time de Sari, no Irã, o paranaense Lucas Camargo Alves, 22 anos, e o gaúcho Cassius Lumar Viana Rosa, 25 anos, mudaram-se para o país persa em julho do ano passado, atraídos pelo que consideravam uma boa oferta de trabalho. Três meses depois, no entanto, o clube não entrou no campeonato local e suspendeu os pagamentos dos atletas. "Pedimos para vir embora, mas disseram que os nossos passaportes tinham sido extraviados", afirma Alves. Após insistirem, o clube disse que só entregaria os documentos se os jogadores pagassem, cada um, US$ 30 mil (cerca de R$ 71,3 mil) referentes a gastos com hospedagem, passagens e comissões recebidas. "Fugimos para a capital (Teerã) sem ninguém saber", afirma Lumar. Em Teerã, a dupla procurou a Embaixada brasileira, que contatou o clube e conseguiu recuperar os passaportes. No entanto, os atletas descobriram que, para deixar o país, teriam de pagar uma multa de US$ 3 mil (R$ 6,1 mil) por causa do vencimento de seus vistos. "Foi uma surpresa, achávamos que estávamos legais", diz Alves. Ao pagar a multa e comprar a passagem de volta, Alves afirma que gastou todas as economias que tinha feito na viagem. "Desanimei com o futebol depois disso", diz o jogador, que voltou a morar em Cascavel (PR) e tem pensado em abandonar a carreira, embora possa encontrar um clube no Rio Grande do Sul, Paraná ou Santa Catarina, onde tem amigos de infância que viraram jogadores profissionais em pequenas e médias equipes: "Fora do futebol fica difícil, não tive tempo de completar os estudos ou fazer faculdade", argumenta ainda o gaúcho Cassius Lumar, com o que concorda o paranaense Lucas Camargo. Ambos pensam em tentar a sorte no futebol paulista, mineiro ou carioca, mas depois de ponderar pelo que passaram no exterior, Lucas e Lumar pensam duas vezes em se afastrar de suas casas.
Além de mirar jogadores de futebol brasileiros, a cartilha do Itamaraty também alerta sobre riscos no exterior para candidatas a modelo, churrasqueiros e professores de danças brasileiras, entre outras profissões de muitas atrações e de grandes riscos no exterior hoje em dia. "O que mais importa é o jovem futebolista ou outro profissional checar bem a proposta, o contrato, buscar previamente informações no Itamaraty em Brasília, no caso de atletas de futebol, uma das primeiras providências é saber se o empresário é agente credenciado da Fifa, informação que pode encontrar na CBF, evitando assim este tipo de problemas", comenta o editor do blog Folha Verde News, o ecologista Padinha: "O sonho de ganhar fortunas no futebol ou na moda atrai muitos garotos e garotas mas é preciso de realismo na hora de decidir algo tão problemático como mudar de país. Em todos os países, prevalecem outros interesses e há esquemas de exploração do trabalho de jovens profissionais".
Fontes: BBC
www.terra.com.br
http://folhaverdenews.blogspot.com
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O Itamaraty criou até uma Cartilha de Orientações para o Trabalho no Exterior, onde se diz que boa parte dos jogadores explorados são vítimas de "agentes inescrupulosos, intermediários de propostas tentadoras que escondem armadilhas". O texto afirma que os agentes costumam dar prazos curtos para a decisão do jogador, para evitar que ele se informe melhor. Há casos em que, uma vez no exterior, o atleta encontra condições de vida e de trabalho ruins, é tratado com brutalidade pelos treinadores e tem o contrato de trabalho desrespeitado. "Com frequência, o jogador é submetido a uma carga de treino excessiva, instalado em alojamento precário e vê seu salário ser descontado diariamente - sem que isso tenha sido explicitamente acordado - com alimentação, acessórios esportivos e outros itens", diz a cartilha. Em outros casos, os jogadores são rejeitados pelo clube e abandonados sem passagem de volta nem assistência.
Dois casos que expressam bem esta situação
Contratados por um time de Sari, no Irã, o paranaense Lucas Camargo Alves, 22 anos, e o gaúcho Cassius Lumar Viana Rosa, 25 anos, mudaram-se para o país persa em julho do ano passado, atraídos pelo que consideravam uma boa oferta de trabalho. Três meses depois, no entanto, o clube não entrou no campeonato local e suspendeu os pagamentos dos atletas. "Pedimos para vir embora, mas disseram que os nossos passaportes tinham sido extraviados", afirma Alves. Após insistirem, o clube disse que só entregaria os documentos se os jogadores pagassem, cada um, US$ 30 mil (cerca de R$ 71,3 mil) referentes a gastos com hospedagem, passagens e comissões recebidas. "Fugimos para a capital (Teerã) sem ninguém saber", afirma Lumar. Em Teerã, a dupla procurou a Embaixada brasileira, que contatou o clube e conseguiu recuperar os passaportes. No entanto, os atletas descobriram que, para deixar o país, teriam de pagar uma multa de US$ 3 mil (R$ 6,1 mil) por causa do vencimento de seus vistos. "Foi uma surpresa, achávamos que estávamos legais", diz Alves. Ao pagar a multa e comprar a passagem de volta, Alves afirma que gastou todas as economias que tinha feito na viagem. "Desanimei com o futebol depois disso", diz o jogador, que voltou a morar em Cascavel (PR) e tem pensado em abandonar a carreira, embora possa encontrar um clube no Rio Grande do Sul, Paraná ou Santa Catarina, onde tem amigos de infância que viraram jogadores profissionais em pequenas e médias equipes: "Fora do futebol fica difícil, não tive tempo de completar os estudos ou fazer faculdade", argumenta ainda o gaúcho Cassius Lumar, com o que concorda o paranaense Lucas Camargo. Ambos pensam em tentar a sorte no futebol paulista, mineiro ou carioca, mas depois de ponderar pelo que passaram no exterior, Lucas e Lumar pensam duas vezes em se afastrar de suas casas.
Além de mirar jogadores de futebol brasileiros, a cartilha do Itamaraty também alerta sobre riscos no exterior para candidatas a modelo, churrasqueiros e professores de danças brasileiras, entre outras profissões de muitas atrações e de grandes riscos no exterior hoje em dia. "O que mais importa é o jovem futebolista ou outro profissional checar bem a proposta, o contrato, buscar previamente informações no Itamaraty em Brasília, no caso de atletas de futebol, uma das primeiras providências é saber se o empresário é agente credenciado da Fifa, informação que pode encontrar na CBF, evitando assim este tipo de problemas", comenta o editor do blog Folha Verde News, o ecologista Padinha: "O sonho de ganhar fortunas no futebol ou na moda atrai muitos garotos e garotas mas é preciso de realismo na hora de decidir algo tão problemático como mudar de país. Em todos os países, prevalecem outros interesses e há esquemas de exploração do trabalho de jovens profissionais".
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| Se até campeões mundiais como Kaká têm dificuldades no exterior, imagine jovens desconhecidos |
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| Garotas atletas ou modelos estão entre as profissões de maior risco para o Itamaraty |
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| Leis brasileiras já limitam a transferências de garotos menores de idade para clubes do exterior |
Fontes: BBC
www.terra.com.br
http://folhaverdenews.blogspot.com
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De repente, um desentendimento com o treinador do time dificulta a carreira ou o trabalho até de jogadores consagrados, como é o caso de Kaká, agora no Real Madrid: se isso acontece com atletas famosos ou muito conhecidos, a situação é dramática quando se trata de jovens anônimos.
ResponderExcluirMesmo jogadores profissionais em grandes clubes estrangeiros, até mesmo na Europa, têm sofrido dificuldades, como preconceito racial ou perseguições e maus tratos, mas com os jovens futebolistas a situação é muito mais complicada e nossa postagem tem o objetivo de alertar a garotada e seus familiares.
ResponderExcluirEspecialmente, no caso de garotas que sonham em se tornar modelos há ainda a agravante de um perigo de a pessoa ser escravizada num circuito de trablho que leva à prostituição. Mas mesmo jovens atletas não estão livres deste risco. Vai daí que a prevenção e o realismo são a alternativa mais segura para o sonhoi de trabalhar no exterior.
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