Dependência econômica impede que vítimas deixem parceiros violentos
Daniela Fernandes
De Paris
Centenas de milhares de vítimas de violência doméstica na América Latina permanecem nos lugares onde sofrem maus tratos porque não têm opção de moradia, revela um estudo de uma ONG com sede em Genebra, na Suíça, divulgado nesta sexta-feira. O relatório do Centro pelo Direito à Moradia contra Despejos (Cohre), intitulado “Um Lugar no Mundo”, analisa a questão da violência contra a mulher no Brasil, na Argentina e na Colômbia.
Nesses países, diz o estudo, "a falta de acesso a uma moradia adequada, incluindo refúgios para mulheres que sofrem maus tratos, impede que as vítimas possam escapar de seus agressores".
"A dependência econômica aparece como a primeira causa mencionada pelas mulheres dos três países como o principal obstáculo para romper uma relação violenta", diz o estudo.
A organização de direitos humanos entrevistou dezenas de mulheres que já foram vítimas – ou continuam sendo – de violência doméstica ou de outros tipos em cada um desses três países analisados.
"A partir dessas entrevistas, surge claramente que o importante para essas mulheres é saber para onde poderão ir quando decidem romper o círculo da violência que sofrem ou terem a chance de se desligarem de parceiros com o perfil de carrascos.
Segundo a Cohre, "a falta de solução para o problema da moradia pode ser determinante para que elas decidam continuar ou não uma relação violenta ou uma dependência econômica de alto risco.
Muitas das mulheres vítimas afirmaram à ONG ter a alternativa de se mudar para a casa de um amigo ou parente logo após sofrerem uma agressão. "Mas, com o passar do tempo, e se sentido incapazes de assegurar uma solução permanente ou mesmo de transição para o problema de moradia, essas mulheres, frenquentemente, não têm outra saída a não ser voltar a viver com seu agressor", diz o estudo.
O estudo afirma que, apesar de a maioria dos países da América Latina ter altíssimas taxas de violência contra mulheres, entre 30% e 60% do universo feminino de cada região, dependendo do país, as políticas públicas “quase nunca” levam em conta a questão do direito à moradia ou de um suporte econômico à sobrevivência das mulheres. A ONG afirma que esse problema afeta sobretudo as mulheres pobres que vivem em comunidades carentes.
Uma mulher em cada quatro já foi vítima de agressões por seu marido ou companheiro, segundo o informe nacional brasileiro ao Comitê para a Eliminação para a Discriminação contra as Mulheres (CEDAW, na sigla em inglês), que corresponde ao período de 2001 a 2005. É preciso atualizar o sistema social em sua estrutura e também, estas estatísticas. O programa para um governo sustentável no Brasil de Marina Silva com certeza precisa priorizar em destaque este problema e as alternativas de solução de todo o drama da violência hoje, inclusive, contra as mulheres, algo tristemente "na moda" atualmente...
Fonte: BBC

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