Especialista de meio ambiente da BBC News, Richard Black fez matéria para dar esta boa notícia (ufa!) aos ecologistas de todos os lados da Terra.
E o Brasil é apontado como um dos países que mais reduziu o desmatamento.
O desmatamento ilegal nas florestas de todo o mundo teria caído 22% desde 2002, segundo um estudo divulgado agora pelo Instituto Real de Assuntos Internacionais (conhecido como Chatham House), da Grã-Bretanha. O estudo, que o instituto diz ser a maior análise sobre a questão já realizada, indica que as maiores quedas no desmatamento foram verificadas no Brasil, na Indonésia e em Camarões, três dos países com as maiores áreas florestais.
No Brasil, a queda no desmatamento nos últimos oito anos teria sido de entre 50% e até 75%, enquanto que na Indonésia teria havido queda de 75%, e em Camarões, de quase 50% no mesmo período.
Segundo a Chatham House, a pressão dos consumidores, as restrições legais dos países importadores de madeira e o destaque nos meios de comunicação contribuíram para a queda no desmatamento, além da luta do movimento ecológico em cada uma das regiões do planeta.
Problema ainda grave
Apesar disso, Sam Lawson, o principal autor do estudo, afirma que o corte ilegal de árvores continua a ser um grande problema ecológico no mundo, gerando variados desequilíbrios ambientais.
“Quedas de 50% a 75% parecem muito, mas temos que ter em mente que o desmatamento ilegal era um problema tão grave nesses países que, mesmo com a redução substantiva, ainda é um problema de alta gravidade”, disse ele à BBC. “Na Indonésia, por exemplo, 40% do corte de árvores ainda é ilegal”, disse ele.
Segundo o relatório, tanto grandes e ricas corporações quanto empresas pequenas e artesanais promovem o desmatamento.
Iniciativas verdes
A última década viu várias iniciativas com o objetivo de reduzir o desmatamento ilegal, tanto em países que produzem madeira quanto naqueles que a importam.
Países signatários de um acordo da União Europeia sobre florestas passaram a ser obrigados a fornecer apenas madeira cortada legalmente, em troca de ajuda financeira e técnicas para tornar sua produção de madeira sustentável.
Os Estados Unidos aprovaram uma emenda a uma lei que impõe sanções sobre qualquer empresa ou pessoa que importe madeira ilegalmente.
Na semana passada, o Parlamento Europeu aprovou uma medida semelhante.
Medidas como essas estão forçando as madeireiras a operar sistemas que permitem a identificação do produto, no qual a origem de cada pedaço de madeira pode ser em princípio verificada.
O estudo da Chatham House diz que está na hora de o Japão, que importa a maior quantidade de madeira per capita do mundo, aprovar leis semelhantes.
Mas outros países asiáticos também preocupam a organização. “A China está se tornando cada vez mais um importante importador, mas não é somente para seu próprio consumo”, afirma Lawson.
“A China está cada vez mais atuando como um país de processamento, como a fábrica do mundo. Por isso, muito da madeira produzida ilegalmente passa pelas fábricas chinesas e termina na Europa e nos Estados Unidos”, afirma o documento.
A Chatham House pede o banimento pela China e por outra das “fábricas do mundo”, o Vietnã, da importação de madeira ilegal e a adoção de uma norma para que toda a madeira usada em projetos do governo tenham certificados de fontes legais.
“Esses são dois passos que já se provaram os mais efetivos nos países consumidores”, afirma Lawson.
Para Sam Lawson, porém, novas reduções na escala das verificadas no estudo não serão fáceis.
Em países produtores de madeira como o Brasil, o estudo indica que os fatores que se provaram eficientes para combater o desmatamento ilegal são a estabilidade política e a aplicação efetiva da lei, bem como, a educação ambiental da população e um fortalecimento político dos ecologistas.
De toda forma, uma boa notícia para os verdes de todo o mundo virarem a semana.

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